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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Vamos falar sobre feminismo ou, por outras palavras, de igualdade




Não é um capricho
Não é uma imposição
É justiça

"Inócuo!", gritou o homem ao seu companheiro de discussão, tremendo de raiva e agitando o seu punho como sinal de repulsa e ódio perante o outro. Aquela rixa correu as bocas da vila, que desfaleciam de indignação ao ouvir que tal insulto fora prenunciado. Inócuo, a nova e derradeira ofensa, uma palavra tão diabólica que só era proferida quando a cólera era tanta que o indevido já tinha vontade de arrancar a própria cabeça. Um qualquer cérebro iluminado (peço desculpa, mas a história já não me está fresca na memória) ouviu falar do tão abalado vocábulo e, sabiamente, decidiu educar os vilãos. Inócuo não é uma palavra ofensiva, na verdade quer dizer inofensivo. Foi mais ao menos isto que aconteceu à palavra feminismo.
Existe um infindável número de ideias erradas acerca do feminismo, o que acabou por dar a esta palavra, ou melhor, a este ideal, uma conotação negativa. Quero esclarecer isso. Ser feminista não significa acreditar na superioridade do género feminino, não significa odiar o sexo oposto,  queimar  sutiãs ou deixar de usar pensos higiénicos,  não é um grupo de mulheres que não querem ter filhos ou ter uma relacionamento, que acham que usar maquilhagem é errado, não é, de longe, um movimento apenas direccionado para mulheres. 

O que é feminismo?

Igualdade.

Feminismo é a crença de que tanto homens como mulheres devem ter os mesmos direitos e oportunidades, politicamente, economicamente e socialmente.

Começou à muitos anos atrás, sendo um dos exemplos mais marcantes da luta das feministas o movimento das sufragistas, começado no século XIX. Este foi um movimento social, político e económico cujo o principal  objetivo foi obter o sufrágio feminino, ou seja, o direito ao voto, conseguido, pela primeira vez, em 1893 na Nova Zelândia. Em Portugal, o direito a voto foi concedido às mulheres em 1931 mas, antes disso, em 1991, Carolina Beatriz Ângelo, teve um lugar junto das urnas de voto. Estava determinado por lei que homens portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever, tal como e os chefes de família tinham direito ao voto, Beatriz Ângelo era viúva, o que a tornava numa  chefe  de família. Assim, sendo média , tinha todas as aptidões necessária e aproveitou-se desta lacuna, mais tarde remendada.

O cartaz mostra Rose the Reveter, uma personagem fictícia que se tornou um popular símbolo de poder feminino, já que celebrava e representava o trabalho das mulheres na WW2.


Não existe nenhum país no mundo que possa dizer ter atingido a igualdade entre géneros. Não é justo que tanto homens como mulheres no mesmo cargo profissional recebam o mesmo salário? Não é justo que todas as crianças tenham direito à educação? É correto que existam países onde cuidados médicos sejam um direito exclusivo do género masculino? Que raparigas de doze anos sejam obrigadas a casar? Todos nós, seres humanos, temos direito à saúde, à educação, a ter acesso à politica e às mesmas oportunidades profissionais, a sermos quem somos e quem queremos ser e ditados por estereótipos, a tomar as nossas próprias decisões. Todos temos o direito à liberdade.





"Tu corres como uma rapariga". Onde será que esta frase nasceu? Porque é que tem um significado tão negativo? Porque é que "correr como uma rapariga", "atirar como uma rapariga", "pensar como uma rapariga", são ações tão desprezíveis? Porque ser rapariga é uma coisa má, certo? 



Porque é que correr como uma rapariga não significa ganhar a corrida?

Vivemos num mundo em que ser rapariga significa não chegar mais longe, onde se é considerado "menos homem" por se demonstrar sentimentos e onde somos categorizados segundo os nosso género. Por estas razões, o feminismo não é um problema de homens ou mulheres, é um problema de seres humanos. Por baixo de um lindo céu azul está um lago, o maior alguma vez visto, cujas margens estão ligadas por uma corda. Estamos todos a andar sobre essa mesma corda. Todos somos afetados pelo mesmo Sol, pelo mesmo vento, pelas mesmas chuvas, pelos mesmos problemas. Que lugar é este? Onde mulheres têm o corpo delas sexualizado e criticado em todas as esquinas da internet? Onde os homens são denegridos por chorarem em público? 



Who needs feminism é um projeto que visa trazer de volta aos olhos do mundo o verdadeiro significado de feminismo. Foi começado por dezasseis mulheres da universidade  Duke University, localizada na Carolina do Norte, que decidiram que estava na altura de lutar contra os mitos do feminismo. No site, podemos encontrar diretrizes para iniciar a nossa própria campanha e submeter a nossa fotografia onde nos cabe escrever o porquê de precisar-mos do feminismo, esta é a característica que torna este projeto tão especial, foi criado de pessoas para pessoas, todos podemos participar e espalhar pelo mundo a importância da igualdade entre géneros. 


HeforShe é uma das organizações mais populares no que toca à defesa da igualdade de géneros, pertence à UN Woman  e exalta a ideia de que este problema não afeta apenas mulheres mas a humanidade. Convida-nos a trabalhar-mos para a igualdade e para percebermos que está nas nossas mãos mudar a situação ocorrente. Como cabeças da sua batalha têm Phumzile Mlambo-Ngcuka, lider da UN Woman, Emma Watson, embaixadora do movimento e Elizabeth Nyamayaro,  que lida com a visão estratégica e execução diária da iniciativa. Agem na area da educação saúde, identidade, trabalho, violência e política e convidam-nos a ajudar disponibilizando guias e um mapa mundo onde podemos descobrir quais os setores mais afetados na nossa região. No seu discurso para a UN, Emma Watson convidou formalmente o género masculino a juntar-se ao feminismo, o que trouxe inúmeras celebridades a assumirem-se como feministas. 










Sou feminista desde que me lembro. Porquê? Eu sempre tive pessoas a meu lado que me encorajam a dar o meu melhor todos os dias, a sussurrar-me ao ouvido que eu posso fazer e ser aquilo que eu quiser, não consigo suportar o facto de nem toda a gente ter as mesmas oportunidades. A única coisa que nos devia definir somos nós mesmos, não a nossa idade, estereótipos ou género. A igualdade é um direito, não deveria ser um luxo pelo qual temos de lutar! O feminismo é uma causa pela qual eu sou incrivelmente apaixonada e, sinceramente, por mais preparação que tenha feito para este post, ficaram muitas coisas por dizer e não consegui exprimir metade do que sinto. Ninguém me há-de fazer pensar que não consigo mudar o mundo e,por isso, não vou ficar parada enquanto vejo e ouço pessoas difamar o feminismo. A nossa idade, o nosso género, nada disso e importante para causa alguma diferença, por mínima que seja. Tomemos o exemplo de Malala Yousafzai, uma rapariga três anos mais velha do que eu que ganhou um Prémio Nobel da Paz e que já conseguiu implementar tanta diferença quanto ao direito à educação. Quando tiver filhos eu não vou deixar que a minha filha alguma vez ouça que não pode agir de certa maneira ou que não pode fazer o mesmo que qualquer rapaz, eu não vou querer que o meu filho se ache menos homem por mostrar quem é, por ter sentimentos, por um dia pegar numa Barbie e brincar e hei-de ensinar-lhes aos dois importância da igualdade e do respeito pelo outro. Eu tenho orgulho em ser uma jovem mulher e tenho orgulho em defender a igualdade entre sexos, acredito que, um dia, ela vai ser alcançada. Espero ter conseguido expor, pelo menos, a ponta deste enorme ice-berg e que comentem a vossa opinião na igualdade entre sexos, de todos os problemas que existem à sua volta, as ideias erradas que poderiam ter, as perguntas que tenham para fazer e sugestões, porque há sempre espaço para melhorar.


Não é um capricho
Não é uma imposição
É justiça.


4 comentários:

  1. Ola! Queria agradecer-te muito pelas tuas palavras ;) a serio, fez o meu dia e ajudou a levantar um bocado do peso que tenho em cima dos ombros. Alguns amigos que tenho, por estarem desempregados e por terem alguma inveja, dizem-me que quixar-me por estar cansada é hipócrita. E isso pesa-me na consciência. Eu sei que não devia... mas pesa. E as tuas palavras cairam me mesmo bem :) obrigado!

    Beijinho♥
    The-not-so-girlygirl.blogspot.com

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    1. Não tens de agradecer! Se precisares de alguma coisa dispõe! Eu imagino que deva ser complicado mas tens de manter a cabeça erguida, mereces o que tens, esforças-te para tal por isso tem orgulho no teu trabalho e não te deixes abalar! Beijinhos!

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  2. obrigada pelo comentário <3
    adorei este post! concordo com tudo o que dizes o feminismo procura a igualdade devida, que deveria existir entre todos :)

    www.pinkie-love-forever.blogspot.com

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